Planejamento · Virada de 2027

    O que muda em janeiro de 2027: CBS em alíquota cheia, fim do PIS/Cofins, Imposto Seletivo e IPI zerado

    No ano de teste, errar sai barato. A partir de 2027, errar significa pagar tributo errado.

    ConteúdosO que muda em 2027

    Janeiro de 2027 concentra a maior mudança operacional da reforma tributária. A CBS passa a ser cobrada em alíquota cheia, PIS e Cofins deixam de existir, o Imposto Seletivo entra em vigor e o IPI cai a zero para a maior parte dos produtos, preservada a Zona Franca de Manaus. O que a empresa resolve nos próximos meses define se a virada será um ajuste ou uma crise.

    O que entra em vigor em 1º de janeiro de 2027?

    CBS em alíquota cheia

    A CBS passa a ser cobrada pela alíquota de referência fixada por resolução do Senado. As estimativas oficiais giram em torno de 8,8%, com redutor de 0,1 ponto percentual em 2027 e 2028. Trate como estimativa até a fixação formal.

    Extinção de PIS e Cofins

    PIS e Cofins deixam de existir, inclusive os regimes especiais, monofásicos, suspensões e benefícios associados. Toda parametrização construída em torno deles precisa ser desmontada.

    Início do Imposto Seletivo

    Tributo federal que estreia sobre bens e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, com campos próprios no documento fiscal e impacto direto na formação de preço dos setores atingidos.

    IPI zerado

    O IPI fica com alíquota zero para a maior parte dos produtos, preservado o desenho que mantém a competitividade da Zona Franca de Manaus.

    O IBS continua em fase de teste, com 0,05% estadual e 0,05% municipal. No mesmo ano, o split payment começa a operar de forma opcional entre empresas.

    O que acontece com os créditos acumulados de PIS/Cofins?

    Este é o ponto mais urgente do planejamento. Saldos credores existentes na extinção seguem regras próprias de aproveitamento e compensação, e a estratégia precisa ser definida com antecedência: compensar ao longo de 2026, pedir ressarcimento ou carregar conforme as regras de transição.

    Empresas com créditos extemporâneos não apropriados têm 2026 como último ano cheio para revisar a apuração dos últimos cinco anos e recuperar o que ficou para trás.

    Como o fim do PIS/Cofins afeta preços e contratos?

    Toda formação de preço que embute PIS/Cofins muda de base em 2027, tanto no regime cumulativo quanto no não cumulativo. Contratos de longo prazo com cláusula de tributos, tabelas de preço e margens por produto precisam ser recalculados com CBS, IBS e Imposto Seletivo no lugar dos tributos extintos.

    Os setores com regimes diferenciados hoje (monofásico, alíquota zero, suspensões) são os que mais mudam, porque o desenho desses tratamentos no novo sistema não espelha o antigo.

    Checklist do que fazer ainda em 2026

    • Recuperar e compensar créditos de PIS/Cofins, inclusive extemporâneos, enquanto o tributo existe.
    • Sanear o cadastro fiscal (cClassTrib, CST, NCM) usando o ano de teste como laboratório.
    • Conferir todo mês a apuração assistida contra os dados próprios.
    • Simular a precificação de 2027 com CBS cheia e, quando aplicável, o Imposto Seletivo.
    • Revisar contratos de longo prazo com cláusulas tributárias.
    • Avaliar a adesão ao split payment opcional entre empresas.
    • Dimensionar o impacto do novo calendário de recolhimento no fluxo de caixa.

    Perguntas frequentes

    Simule 2027 com os seus próprios dados

    Projete a carga com CBS cheia, IBS em teste e Imposto Seletivo a partir dos seus arquivos fiscais, e revise a precificação antes da virada.