Os eventos de tabela da DeRE, D-1001 e D-1011, são feitos uma vez e mantidos quando algo muda. O balancete mensal, o evento D-1101, é outra conversa. Ele vai todo mês, até o dia 15 do mês seguinte, sem prorrogação quando o dia cai em fim de semana ou feriado. A primeira competência é outubro de 2026, com prazo em 15 de novembro.
É no D-1101 que a DeRE deixa de ser projeto e vira rotina. E é nele que aparecem os problemas que o cadastro esconde: uma conta nova que movimentou e não está no PGCC, um saldo que não fecha por um centavo, uma conta de receita que deveria começar o ciclo zerada.
O que o D-1101 leva
Uma linha por conta analítica que teve saldo ou movimento no mês, até 90 mil contas por evento (eram 10 mil até a versão 1.1.0 do leiaute), consolidando matriz e filiais na raiz do CNPJ. Cada linha tem onze campos:
- cCta: o código da conta, exatamente como foi informado no PGCC.
- natSaldoInic e vSaldoInic: natureza e valor do saldo inicial.
- vMovDebt e vMovCred: total de débitos e de créditos do mês.
- vAjusteDebt e vAjusteCred: a parte do movimento que sai do cálculo, como estornos e cancelamentos.
- natSaldoFinal e vSaldoFinal: natureza e valor do saldo final, antes do encerramento das contas de resultado.
- natVApur e vApur: o valor-base sobre o qual o ambiente nacional aplica a regra do codTrib da conta, e a natureza desse valor.
Todos os valores vão em absoluto, sem sinal. Quem diz o sentido é a natureza, D para devedor e C para credor.
De onde vêm os números no SAP
O balancete não precisa de relatório novo. Ele sai das tabelas de totais do razão, que o SAP mantém por conta, ano, período e sentido do lançamento. A tabela muda conforme a versão:
| Versão do SAP | Tabela de totais | Observação |
|---|---|---|
| ECC com razão clássico | GLT0 | Totais por conta e período. |
| ECC com New GL | FAGLFLEXT | Mesmo desenho, com mais dimensões. |
| S/4HANA | ACDOCA, agregada | Filtrar o ledger principal, normalmente 0L. |
Os campos que importam são praticamente os mesmos nas três: a conta, o ano, o período, o indicador de débito ou crédito (S para débito e H para crédito) e o valor em moeda local. Com eles, o fluxo faz três contas:
1. Saldo inicial: o saldo transportado do exercício mais tudo o que foi lançado até o mês anterior.
2. Movimento do mês: a soma dos débitos e a soma dos créditos do período, separadas.
3. Saldo final: saldo inicial mais débitos menos créditos, com a natureza que resultar. Se o saldo final der zero, repita a natureza do saldo inicial.
Quem não tem acesso direto ao SAP pode partir de uma extração dessas tabelas ou de um balancete exportado pelo time contábil. O cálculo é o mesmo. O que muda é só a porta de entrada do dado.
As regras que mais derrubam o balancete
O leiaute da DeRE traz um anexo de regras de validação. No balancete, quatro concentram a maior parte das rejeições.
1. A conta não está no PGCC vigente. A regra CCTA_NO_PGCC exige que toda conta que movimentou no mês esteja no PGCC vigente no último dia do período, mesmo que tenha sido criada ou encerrada no mês. Conta sintética no balancete também é rejeitada. Na versão 1.2.0 da documentação da DeRE, de 05/09/2026, essa regra passou a interromper o processamento na primeira conta com problema. Esse é o erro da conta nova: o contábil cria a conta no dia 20, ninguém avisa o fiscal, e o balancete do mês volta.
2. O saldo inicial das contas de resultado não vem zerado quando deveria. Receitas e despesas (codNat 4 e 5) começam o ciclo com saldo zero. O ciclo é o que foi declarado no campo freqEncerr do D-1011:
| freqEncerr | Encerramento | Meses em que o saldo inicial de resultado é zero |
|---|---|---|
| A | Anual | Janeiro |
| S | Semestral | Janeiro e julho |
| Q | Quadrimestral | Janeiro, maio e setembro |
| T | Trimestral | Janeiro, abril, julho e outubro |
| B | Bimestral | Janeiro, março, maio, julho, setembro e novembro |
| M | Mensal | Todos os meses |
Nas contas patrimoniais (ativo, passivo e patrimônio líquido), o saldo inicial tem que bater com o saldo final do mês anterior. Atenção à primeira competência: outubro só é mês de zerar as contas de resultado para freqEncerr T ou M. Com encerramento anual, por exemplo, outubro de 2026 entra com o saldo acumulado de janeiro a setembro.
3. O saldo final não fecha. A regra CONFERIR_SALDO_FINAL_NAT_SALDO_FINAL confere saldo inicial, débitos, créditos e natureza. Parece simples, e é aqui que aparece o erro mais traiçoeiro: guardar valores em formato numérico de baixa precisão em algum passo do processo. A partir de pouco mais de R$ 130 mil, o centavo já se perde no arredondamento e a conta inteira é rejeitada. Faça todo cálculo de dinheiro em tipo decimal ou em precisão dupla, com o arredondamento da ABNT NBR 5891 adotado pela versão 1.2.0: 8 casas nos cálculos intermediários e 2 no valor final, pela regra do número par.
4. Falta a natureza do valor de apuração. Pela regra OBRIGAR_NATVAPUR, sempre que vApur for maior que zero, natVApur é obrigatória. A fórmula do vApur é fixa, pela regra CONFERIR_VAPUR: com natureza D, vApur = vMovDebt − vAjusteDebt + vAjusteCred; com natureza C, vApur = vMovCred − vAjusteCred + vAjusteDebt. O que a empresa decide, e precisa documentar junto com a matriz de codTrib, é qual lado do movimento forma a base de cada conta. Esse valor é a base aferida pelo ambiente nacional.
Validar, assinar e montar o lote
Com o XML do evento gerado, faltam três passos antes da transmissão:
1. Validar contra o XSD oficial. Pega campo faltando, tamanho errado e formato de data antes de gastar uma rodada na API. Use sempre a versão vigente: a documentação da DeRE passou para a 1.2.0 em 05/09/2026, com XSDs novos para o plano de contas (evtPGCC v1_0_3) e o balancete (evtBalancete v1_0_1). Confira no site do CGIBS qual pacote o ambiente de Produção aceita, porque ele também publica um XSD próprio para a Produção Restrita das empresas piloto.
2. Assinar. Cada evento é assinado individualmente com certificado ICP-Brasil, no padrão XMLDSig enveloped, referenciando o id do evento.
3. Montar o lote. Os eventos assinados vão encapsulados em um lote, enviado por HTTPS com token OAuth 2.0.
O retorno imediato é só um protocolo. O processamento é assíncrono, evento a evento. O resultado do balancete volta no retorno totalizador D-9101, com os totais por código de tributação. Não mande o balancete no mesmo lote de um PGCC alterado: se o PGCC for rejeitado, o balancete pode ser validado contra a versão anterior e ser aceito com base errada.
O que conferir antes de transmitir
- Total de débitos do mês igual ao total de créditos, somando todas as contas.
- Nenhuma conta com movimento fora do PGCC vigente.
- Saldo inicial de cada conta patrimonial igual ao saldo final do mês anterior.
- Contas de resultado zeradas no mês de abertura do ciclo.
- Toda conta com vApur maior que zero com natVApur preenchida.
- Uma prévia dos totais por codTrib, para comparar com o D-9101 que vai voltar.
Como a Taxcel faz isso no Taxcel Studio
O Taxcel Studio monta fluxos que leem o balancete e o plano de contas direto da origem. No SAP, o ponto de partida é a extração da tabela de totais do razão. O fluxo cruza com o PGCC, calcula saldos e movimentos, aplica a regra de zeragem do freqEncerr, gera o XML do D-1101, valida, assina com o certificado da empresa, monta o lote e entrega uma planilha de conferência com um veredito: pronto para enviar ou o que ainda impede o envio. O cálculo é determinístico. A mesma entrada gera sempre o mesmo XML, e nenhum número passa por IA. O Taxcel Studio é instalado na máquina da empresa, e o processamento acontece ali antes da transmissão.
Perguntas frequentes
Quer ver como um D-1101 fica por dentro antes de montar o seu?
Baixe o XML da DeRE comentado campo a campo, com dados fictícios e validado contra o XSD oficial.

